CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL
«O ESPOJINHO
De estatura meã, musculado e a tez escura, a lembrar-nos logo das múltiplas heranças que aqui nos deixaram durante os cinco séculos em que os mouros, vindos do Norte de África dominaram o Al - Faghar.
Era assim o «Espojinho», moço como eu, com uns anos mais, nascido na zona ribeirinha, com todos os problemas, as excepções confirmam a regra, de ser um «um filho da Ribeira».
Sempre o conhecemos a trabalhar, situação comum afinal aa todos os nascidos naquela zona citadina. A Ria era o grande campo laboral a todos apontado.
O «Espojinho», «desculpem-me assim o identificar mas outro nome nem próprio nem familiar jamais o conheci, fugiu a essa chamamento dos viveiros. do apanhar o berbigão ou das artes da redinha, do tapa - esteiros ou quejandas. Sempre o conheci a trabalhar na «Fábrica do Gelo», do sr. Joaquim Custódio, na típica Travessa daa Madalena, a artéria que liga o Largo da Madalena à Avenida da República. Era o trabalhador único desta entidade, para a época, da maior importância para a cidade de Faro dos anos 40 e 50 do século passado. Reduzido era o número de frigoríficos existentes e a conservação dos alimentos e o tratamento de certas doenças, em especial da «apendicite» fazia-se com a aplicação na barriga do gelo que ali era adiqurido.
A «Fábrica do Gelo» funcionava num armazém contíguo à residência do seu proprietário. Digna a referência que na Travessa da Madalena existiam: a taberna «A Floresta», onde a «gente do mar» bebia o seu copo de vinho ou de medronho, que não atingira o preço que hoje tem e a primitiva oficina de serralharia do Mestre Zé da Gordinha, um exemplo da dedicação como dirigente, durante muitos anos na «Sociedade Recreativa os Artistas».
O gelo era obtido a par da água que era vertida em recipientes metálicos e submetida a baixas temperaturas que provocavam o seu congelamento. Quantas vezes, nas quentes tardes do Verão nos deliciámos com os bocados sobrantes das referidas barras que o «Espójinho» distribuía, generosamente, pela malta que ali acorria. Uma lembrança de «um filho da Ribeira», honesto e trabalhador, que hoje aqui recordamos.
Comentários
Enviar um comentário