CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL
NA MORTE DE TERESA RITA LOPES
Chegou-nos com a brutalidade de quando alguém a quem votávamos vivo apreço acontece a morte. A escritora, investigadora (a maior sobre Fernando Pessoa a nível mundial), poetisa, dramaturga (Prémio APE / Ministério da Cultura), professora universitária (inclusive na prestigiada Sorbonne, em Paris, onde se doutorou com uma tese pessoana), mulher da cultura e figura entre as maiores da inteligência algarvia.
Morreu a Professora Doutora Maria Teresa Rita Lopes que nascera emFaro (1937) e faleceu em Almada, onde residia, sendo sepultada no Cemitério do Feijó, naquele concelho. Frequentou o então Liceu João de Deus, em Faro, onde se distinguiu pela sua invulgar inteligência e onde teve os primeiros contactos com a obra de Fernando Pessoa, na sequência da sua ligação o também saudoso Mestre Dr. Joaquim Magalhães. Fez a sua licenciatura em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Na sequência das perseguições pela polícia política, no anterior regime, exilou-se em Paris (1961) ingressando na Universidade da Sorbonne, na capital francesa, onde leccionou durante décadas e fez o seu brilhante doutoramento com uma brilhante tese sobre o poeta Fernando Pessoa. Após a «Revolução do 25 de Abril de 1974», que restaurou a Democracia no nosso País, regressou a Portugal, indo ocupar, com todo o mérito, na Universidade Nova de Lisboa.
Desenvolveu, ao longo da vida, intensa actividade intelectual e sobretudo de investigação da vida e obra pessoana. Era detentora de vários prémios e condecorações, entre os quais a Medalha de Faro (grau Ouro).
A sua morte causou profunda consternação, motivando a expressão do profundo pesar de entidades regionais e nacionais.
Curvamo-nos reverentes ante a memória da ilustre farense, aquela menina de então, moradora na Rua de São Luís e, desde sempre uma das mais destacadas mulheres nascidas nesta cidade.
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