CRÓNICA DE FARO. JOÃO LEAL
FARO, «CIDADE RIBEIRINHA»
Foi sempre, desde o habitante nº l, a vocação deste burgo. Tudo o apontava para uma «terra anfíbia», face às duas grandes realidades geográficas: a Ria Formosa e os campos em derredor de elevada qualidade produtiva. Conforma o referiu, há longos anos, o Professor Henrique de Barros, insuspeita autoridade mundial na matéria: «dos melhores campos nacionais a par dos barros de Beja». Eram, então, as Campinas, o Patacão, as Pontes de Marchil, etc.
Chegou, em boa hora, o caminho de ferro, nos finais do século XIX e com ele, em vez de uma esperança de progresso e crescimento, como se fosse um «cordão umbilical em torno da garganta de um feto». É que para muitos a vida férrea era um cordão inultrapassável ao amanhã da capital sulina.
O conjunto de obras anunciadas pela Vereadora Arq. Sophie Matias, a quando das comemorações do «Dia da Cidade», definem uma vocação ribeirinha para Faro, procurando, de novo voltá-la para a Ria Formosa, havido, como «o maior acidente hidrográfico existente, no seu género, na Europa». O exemplo da avenida à beira mar, na vizinha cidade de Olhão, é um testemunho da plena simultaniedade de valores existentes. Só que Faro virou as costas à Ria e a Cidade Cubista acreditou nos valores que ali possuía.
A passagem quer terrena, quer subterrânea Largo de São Francisco / Portas de Mar, com uma verba de 8 milhões de euros e toda a capacidade técnica que a obra exige; a passagem desnivelada junto do Teatro Municipal, o quilómetro cultural, o arranjo dos terrenos junto à ex-passagem de nível (acabando de vez com o ser a garagem ao ar livre de autocarros), a doca exterior, etc. , definem esse propósito e visão de «Faro, cidade ribeirinha», como deseja aconteça e de facto aconteça.
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