Crónica de Faro
CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL
O CENTENÁRIO DE ANTÓNIO RAMOS ROSA
Ocorre no próximo dia 17 de Outubro o primeiro centenário do nascimento do poeta António Ramos Rosa, dos nomes maiores não apenas da poesia portuguesa deste nosso tempo, mas com marcante posição na literatura europeia. Com efeito foi naquele dia do ano de 1924 que nesta cidade, para pleno orgulho de todos nós, algarvios, nasceu o autor do «Grito Claro» e de tantas obras magnificentes.
Uma efeméride a viver e assinalar pela sua Terra - Mãe que, por iniciativa do Município e tendo como Comissário das cerimónias o escritor, ensaísta e grande Amigo do vate, o Prof. Dr. António Carlos Cortez.
De entre outros actos programados destacamos o Colóquio Internacional António Ramos Rosa - Poesia, Liberdade Livre, com a prevista presença de grandes vultos intelectuais, que vêm partilhar o muito que estudaram e sabem sobre a sua obra e a inauguração de um busto na Biblioteca Municipal que ostenta com toda a valia e significado o seu honrado nome.
Destacamos ainda a reformulação do «Prémio Nacional de Poesia», agora em organização conjunta da Câmara Municipal de Faro e da APE (Associação Portuguesa de Escritores) e o aumento do valor pecuniário de 5 mil para 12 500 euros. Acontecerá ainda, entre Setembro de 2024 e Junho 2025 a Exposição Itinerante «António Ramos Rosa - Uma presença real», que será primeiro exibida na Biblioteca e depois percorrerá todas as escolas do Concelho, decorrendo em simultâneo, palestras, saraus poéticos, etc. cativando e tornando mais conhecido da juventude o excelso poeta farense.
Foi em 1958 que no semanário «A Voz de Loulé» que, por influência doutro grande poeta algarvio Casimiro de Brito, o louletano que veio estudar para Faro e com quem manteria sempre uma grande amizade ao longo da vida. publicou um poema. Anos antes foi um dos co-fundadores da revista de poesia «Árvore» (1954/55). É o período de adesão ao MUD Juvenil, oposicionista ao regime político, então vigente, o que o levou a recusar em 1971 o «Prémio Nacional de Poesia», instituído pelo Secretariado Nacional de Informação e Turismo.
Foi, juntamente com o já referido Casimiro de Brito, o grande impulsionador dos «Cadernos do Meio Dia», com o lançamento de «O grito claro», incluído na colecção poética «A palavra». De entre as mais de 7 dezenas de obras publicadas António Vítor Ramos Rosa, de seu nome completo, escreveu, entre outros: «««Voz Inicial» e «Sobre o rosto da Terra», ambos em 1961; «Poesia, Liberdade Livre» (um ano depois); «Não posso adiar o coração» (1974); etc.
Em 2003 foi feito «Doutor Honoris Causa» pela nossa Universidade do Algarve.
Ainda em vida (faleceria em Lisboa, onde residia, com 88 anos, a 23 de Setembro de 2013) foram-lhe atribuídas as medalhas de «Grande Oficial da Ordem Militar de Sant,Iago da Espada (10 de Junho de 1992) e «Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (9 de Junho de 1997).
Conquistou inúmeros prémios nacionais e internacionais, entre os quais
o que recusou por questões políticas.
No 1º centenário Faro e o País vão lembrar o maior poeta nascido na capital sulina - António Ramos Rosa!
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